São Paulo: Polícia prende dirigente da Transcap por suspeita de ligação com o PCC

São Paulo: Polícia prende dirigente da Transcap por suspeita de ligação com o PCC

22 de agosto de 2022 Off Por Redação Revista do Ônibus

SÃO PAULO – Uma operação do Departamento de Investigações Criminais da Polícia Civil de São Paulo – DEIC, deflagrada na manhã desta segunda-feira (22), de busca a apreensão, prendeu Valter da Silva, um dos dirigentes da Auto Viação Transcap, que opera linhas municipais em São Paulo.

São Paulo: Polícia prende dirigente da Transcap por suspeita de ligação com o PCC - revistadoonibus

A operação ocorre na cidade de São Paulo e em Alphaville, área nobre da Região Metropolitana da capital e segundo a Polícia Civil, a operação investiga um suposto envolvimento de empresas de ônibus com a facção Primeiro Comando da Capital – PCC.

Atualmente a Auto Viação Transcap opera 26 linhas municipais nos bairros da zona oeste e da zona sul de São Paulo com 300 ônibus urbanos.

A operação segue repercutindo na imprensa e no setor de transportes da capital paulista.



São Paulo: Polícia prende dirigente da Transcap por suspeita de ligação com o PCC - revistadoonibus

Além da Transcap, as empresas TransUnião e UP Bus, também foram alvo de investigações, assim como busca e apreensão por suspeita de lavagem de dinheiro e associação com a mesma facção criminosa.

Em junho deste ano,  o delegado da Polícia Civil de São Paulo, Gustavo Mesquita, protocolou um pedido de apuração pela Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo, sobre as denúncias de que o vereador do PT, Senival Moura, teria ligação com o crime organizado.

O delegado da Polícia Civil de São Paulo informa que seu pedido se baseou no artigo 12 da Resolução 7 de 29 de maio de 2003, que prevê investigação a quem pratica irregularidades no exercício de mandato.

“Esses fatos gravíssimos têm que ser apurados. É inadmissível que um vereador supostamente envolvido em fatos como esse possa continuar exercendo suas funções na Câmara Municipal”, afirmou Mesquita.

São Paulo: Polícia Civil pede que Corregedoria da Câmara investigue vereador Senival Moura - revistadoonibus

Na última quinta-feira (9), os policiais prenderam o principal suspeito do assassinato e suposto autor dos disparos, Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão. Devanil Souza Nascimento, conhecido como Sapo, também foi preso. Ele era motorista do vereador e é suspeito de ter levado Adalto até a padaria.

DEIC indica que integrantes do PCC são donos de 30% a 40% da frota da companhia. 13 ônibus foram apreendidos. Além da Transunião, outra empresa de ônibus, a UP Bus também é alvo da polícia. A companhia é investigada pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico. O DENARC disse ter provas que, pelo menos, cinco chefes da empresa fazem parte de facções criminosas e apurou que de 2015 a 2021 o número de sócios passou de três para 60 e o capital da Up Bus de R$ 1 milhão para R$ 20 milhões.

São Paulo pode romper contrato com as empresas que foram alvo de operação policial - revistadoonibus

De acordo com o delegado Fábio Lopes, que é diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais – DEIC, foi o parlamentar quem colocou Adalto como diretor da Transunião. “O Adalto era, então, presidente da cooperativa. No mês de fevereiro ele foi afastado e no mês de março foi morto. Nós começamos a investigar a partir daí. Nós chegamos à conclusão que ele tinha sido morto por meio do crime organizado. Parece que houve um desvio de um valor muito grande do dinheiro que teria que ser repassado para os cooperados, no caso, agora, os acionistas. E uma parte grande desse dinheiro teria que ser repassado para os membros dessa organização criminosa. E parece que teve um desvio”, comenta o delegado.

Por conta da repercussão do assunto na imprensa, o vereador Senival Moura – PT não apareceu para trabalhar na Câmara Municipal de São Paulo nesta última sexta-feira (10), um dia após operação realizada pela Polícia Civil para investigar sua ligação com o crime organizado, o Primeiro Comando da Capital – PCC.

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Atualmente, as empresas de ônibus TransUnião e UP Bus, transportam mais de nove milhões de passageiros por mês na cidade de São Paulo, como informou a Jovem Pan. A Transunião opera dois lotes, um com 40 linhas, que vai de São Miguel Paulista ao Itaim Paulista e outro com dez, que vai da Vila Prudente a São Mateus. Já a UP Bus é responsável por 13 linhas, que vão do Tatuapé a São Miguel Paulista.

Vereador nega acusação

Em nota, Senival Moura disse nos últimos dias que foi surpreendido pela ação da polícia e que não tem envolvimento com as ações, além de estar à exposição da justiça.

Na tarde desta terça-feira (14/6), Senival Moura, divulgou um vídeo em sua rede social, falando sobre a situação, como podemos ver abaixo.

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Câmara Municipal de São Paulo recebe pedido para abertura da CPI dos ônibus

Vale lembrar que mais três empresas de ônibus também seguem sendo investigadas por possível participação no mesmo esquema no qual estaria envolvida a empresa TransUnião Transportes.

O pedido para a abertura da CPI dos ônibus na Câmara Municipal de São Paulo foi protocolado pelo vereador Mario Palumbo Junior, também conhecido como delegado Palumbo – MDB, após a Polícia iniciar duas operações que investigam membros de duas empresas de ônibus que atuam linhas municipais em São Paulo.

Depois da operação policial, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes – MDB, afirmou que pode quebrar os contratos com as empresas, caso as irregularidades sejam comprovadas. “Essa etapa é de investigação, portanto, apesar de parecerem robustas as próprias, ainda está em investigação, estando em investigação, a prefeitura não tem o que fazer, porque não tem a confirmação. Havendo a comprovação de que houve a utilização da concessão, portanto, o contrato firmado da prefeitura e empresa, e que esse contrato foi usado para fazer a lavage, de forma muito rápida, nós vamos fazer a rescisão contratual”, disse Nunes.

Com informações da Prefeitura de São Paulo e Polícia Civil de São Paulo