Justiça quebra sigilo de empresários do Grupo Saritur por suspeita de vacinação ilegal em Belo Horizonte

Justiça quebra sigilo de empresários do Grupo Saritur por suspeita de vacinação ilegal em Belo Horizonte

26 de março de 2021 Off Por Redação Revista do Ônibus

BELO HORIZONTE – O Juiz Federal Rodrigo Pessoa Pereira da Silva, da 35ª Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais, autorizou a quebra de sigilo telemático de aparelhos celulares, tablets, assim como em computadores dos empresários do Grupo Saritur, por suspeita de importação irregular de vacinas contra a Covid-19, assim como a receptação de doses. Na medida judicial, o magistrado determina que as empresas Apple, Google e Microsoft forneçam os dados solicitados pela Polícia Federal em relação aos respectivos serviços de nuvem: iCloud, Google Drive e OneDrive.

Agentes da Polícia Federal chegando em uma das garagens do Grupo Saritur em Belo Horizonte – Foto Reprodução de TV

“Faz-se necessária também a quebra de sigilo de dados cadastrais e telemáticos nos aparelhos porventura apreendidos, bem como acesso à ‘nuvem’, tal como requerido pela autoridade policial, com o fim de se apurar a autoria e materialidade delitivas”, afirma a decisão.

O magistrado, ainda na mesma decisão determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão na empresa Coordenadas, no bairro Caiçara, na Região Noroeste da capital, onde a vacinação teria ocorrido. A empresa pertence a parentes dos sócios da Saritur. Um deles, Rubens Lessa, é apontado como um dos organizadores da vacinação.

Agentes da Polícia Federal chegando em uma das garagens do Grupo Saritur em Belo Horizonte – Foto Reprodução de TV

O juiz também deferiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências de Robson Lessa e Rômulo Lessa, irmãos de Rubens.

A Justiça Federal determinou, ainda, que as vacinas que forem encontradas pela Polícia Federal sejam entregues ao Ministério da Saúde.

“A gravíssima pandemia que assola o mundo todo e o Brasil de forma mais severa, ceifando centenas de milhares de vidas em nosso país, se apresenta como uma guerra, e uma guerra só se vence com esforço e sacrifício coletivos. E é justamente diante de uma situação como essa que deve imperar o espírito de solidariedade, de auxílio mútuo, não se admitindo que cidadãos se coloquem em posição privilegiada”, afirmou o juiz na decisão.

A reportagem da revista Piauí, publicada nesta última quarta-feira (24), que mostra um vídeo de um grupo de pessoas sendo vacinados dentro de uma garagem da Viação Saritur no bairro Caiçara, em Belo Horizonte, vai ganhando novos capítulos. Antes mesmo de a Polícia Federal e o Ministério Público Federal iniciar as investigações sobre o ocorrido, um funcionário da empresa que não teve a sua identidade revelada, revelou a uma repórter da TV Globo, que os empresários compraram a vacina.

Foto: Reprodução de TV
Foto: Reprodução de TV

Na manhã desta sexta-feira (26), a Polícia Federal realiza mandados de busca e apreensão em endereços que são ligados à Viação Saritur, na cidade de Belo Horizonte. As buscas ocorrem em decorrência da Operação Camarote, que investiga se empresários do transporte foram vacinados de forma ilegal contra a Covid-19.

Antes das 6h, policiais saíram da sede da Polícia Federal, na Região Oeste de Belo Horizonte. Ao todo, quatro mandados de busca e apreensão foram expedido pela 35ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte para que sejam recolhidas provas relativas ao caso.

A investigação da Polícia Federal, no âmbito da Operação Camarote, que pela manhã esteve em uma das garagens do Grupo Saritur, realizando o mandado de busca e apreensão, localizou segundo a Record TV e o portal R7, uma lista com os nomes de 57 pessoas que possivelmente foram vacinadas contra da Covid-19, em uma garagem de ônibus ligada ao Grupo Saritur.

De acordo com fontes ligadas à investigação, há indícios que dos os imunizantes foram adquiridos em uma compra feita em um países vizinhos ao Brasil e não diretamente com a fabricante Pfizer.

Em contato com a reportagem, a Pfizer já havia negado qualquer negociação com a iniciativa privada no Brasil.

Durante a visita em uma das garagens de ônibus do Grupo Saritur, agentes da Polícia Federal, conversaram com funcionários da Companhia Coordenadas de Transportes, assim como um dos sócios, identificado como Robson Lessa, apontando pela reportagem da Revista Piauí como o principal articulador da aplicação das vacinas, ao lado de seu irmão Rômulo Lessa.

Os nomes dos donos da Saritur constam na Receita Federal como os diretores da Atual. O site da companhia de ônibus também afirma que ela pertence ao grupo. Ainda assim, representantes da Saritur afirmam que não têm ligação com a Coordenação da Cia Atual Coordenadas.

Segundo a publicação da Revista Piauí, os organizadores da vacinação foram os donos da Viação Saritur. Um deles, Rubens Lessa, é presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano. Por mensagem à TV Globo, ele se limitou a dizer: “Tenho conhecimento deste assunto”.

Entre os vacinados, segundo a revista, também estariam o ex-senador e ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte – CNT Clésio Andrade e o deputado estadual Alencar da Silveira Júnior – PDT.

Ao G1, Andrade disse que desconhece o assunto e que está em quarentena, no Sul de Minas, há dois meses. Mas à revista Piauí, afirmou: “Estou com 69 anos, minha vacinação [pelo SUS] seria na semana que vem, eu nem precisava, mas tomei. Fui convidado, foi gratuito para mim”. Questionado pela TV Globo, o ex-senador não confirmou a declaração.

Silveira Júnior negou que tenha participado da vacinação. Já o empresário Rubens Lessa, em nota, afirmou que o “endereço da empresa mencionado na reportagem não pertence ao Grupo Empresarial SARITUR, esclarece que os nomes citados na reportagem não fazem parte da direção do Grupo e que, o assunto tratado na matéria, era de total desconhecimento da diretoria da empresa”.

Com informações da Record TV, Tv Globo, G1 e Portal R7