Rio: Empresas de ônibus estão envolvidas em esquema de corrupção no TRT, diz jornal

Rio: Empresas de ônibus estão envolvidas em esquema de corrupção no TRT, diz jornal

2 de março de 2021 Off Por Redação Revista do Ônibus

RIO – Empresários do transporte, são apontados pela Procuradoria-Geral da República – PGR, na denúncia oferecida ao Superior Tribunal de Justiça – STJ, em um esquema de corrupção envolvendo quatro desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região – TRT-1, do Rio de Janeiro, que desviou recursos destinados ao pagamento do salário de trabalhadores da saúde do Estado do Rio e arrecadou propina junto a empresas de ônibus. Segundo a PGR, houve o pagamento de R$ 8,5 milhões de propina aos desembargadores, ao grupo do governador do Rio Wilson Witzel (PSC) e a advogados envolvidos no caso.

Foto: Reprodução de TV

Em uma ação da Polícia Federal e da PGR, na manhã desta terça-feira (2), foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, incluindo os quatro desembargadores, e 26 mandados de busca e apreensão no caso. Em conjunto com a operação, deflagrada para a obtenção de mais provas, a PGR já apresentou denúncia ao STJ a respeito do esquema.

A investigação reuniu elementos de participação de escritórios de advocacia de parentes de magistrados do TRT-RJ, na concessão de decisões judiciais em favor de empresas de transporte e organizações sociais com dívidas trabalhistas. O nome dos empresários do transporte e as empresas de ônibus, não foram revelados, como informou o jornal Extra.

Na denúncia sob acusação de corrupção e outros crimes estão os desembargadores do TRT-1 Marcos Pinto da Cruz, José da Fonseca Martins (ex-presidente do TRT), Fernando Antonio Zorzenon da Silva (ex-presidente do TRT) e Antonio Carlos de Azevedo Rodrigues. Entre os denunciados também estão Wilson Witzel, Pastor Everaldo, o empresário Mario Peixoto e advogados envolvidos no esquema.

De acordo com a denúncia, nos meses de março a agosto de 2020, os desembargadores do TRT Marcos Pinto da Cruz e José da Fonseca Martins Junior, à época presidente do tribunal, em conjunto com o juiz do trabalho Múcio Nascimento Borges e com o governador do Rio Wilson Witzel, desviaram R$ 752 mil pagos pelo governo do Rio à organização social Pró-Saúde que deveriam ser usados para pagar salários dos trabalhadores da Saúde do Rio.

“Marcos Pinto da Cruz, José da Fonseca Martins Júnior, Wilson José Witzel, Múcio Nascimento Borges, Eduarda Pinto da Cruz, Suzani Andrade Ferraro e Manoel Messias Peixinho praticaram, em 4 (quatro) oportunidades, o crime de peculato majorado, na medida em que contribuíram para desviar, em proveito próprio e alheio, valores depositados pelo Estado do Rio de Janeiro no processo judicial relativo ao plano especial de execução da organização social Pró-Saúde, que deveria ser utilizado para pagar os trabalhadores da organização social que ingressaram com reclamações trabalhistas e tiveram seus créditos reconhecidos judicialmente”, escreveu a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo.

Desde o ano passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga a existência de esquemas criminosos com a participação do chefe do Executivo Estadual, já afastado do cargo. Ao todo, já foram apresentadas três denúncias ao STJ contra Witzel, a esposa, Helena, e outros envolvidos nos crimes já apurados. Entre os casos investigados estão desvios de recursos públicos destinados ao enfrentamento da epidemia da covid-19.

Mandados de prisão:

  1. Antônio Carlos de Azevedo Rodrigues, desembargador
  2. Eduarda Pinto da Cruz, operadora
  3. Fernando Antônio Zorzenon da Silva, desembargador
  4. José da Fonseca Martins Junior, desembargador
  5. Leila Maria Gregory Cavalcante de Albuquerque, operadora
  6. Manoel Messias Peixinho
  7. Marcello Cavanellas Zorzenon da Silva, operador
  8. Marcos Pinto da Cruz, desembargador
  9. Pedro D’Alcântara Miranda Neto
  10. Sônia Regina Dias Martins, operadora
  11. Suzani Andrade Ferraro, operadora

Em nota, o TRT ressaltou “seu compromisso com a legalidade” e informou estar “à disposição das autoridades no que for necessário para auxiliar nas investigações que levem ao total esclarecimento dos fatos”.

Com informações da Tv Globo, Extra, Band News, Procuradoria Geral da União e Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região – TRT-1