SP: Alunas da Baixada Santista criam sistema sonoro para auxiliar cegos

SP: Alunas da Baixada Santista criam sistema sonoro para auxiliar cegos

4 de fevereiro de 2021 Off Por Redação Revista do Ônibus

SANTOS – Motivados pelo ingresso de um colega portador de deficiência na Escola Técnica Estadual – Etec Dona Escolástica Rosa, estudantes do curso técnico de Logística da unidade desenvolveram um projeto que pode provocar mudanças no transporte público coletivo de Santos. Trata-se de um sistema sonoro para auxiliar e dar autonomia aos passageiros que enfrentam dificuldades para se deslocar.

A proposta das estudantes Carla da Silva Ribeiro, Juliana Entenza Santos e Rúbia do Amaral Ferreira Conceição, resultou no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado Transporte público, deficientes visuais e a mobilidade urbana. Para chegar à melhor solução, elas realizaram pesquisas sobre as dificuldades enfrentadas pelos deficientes visuais e fizeram um paralelo com os sistemas sonoros já existentes em trens e metrô de algumas cidades.

“Eu sempre acreditei no potencial desse trabalho”, diz o professor e coordenador do curso técnico de Logística que orientou as alunas no projeto, José Angelo Justo Alvarez. Segundo ele, foram desenvolvidas várias atividades para a integração do jovem cego em todas as turmas da Etec. “Carla, Juliana e Rúbia demonstram interesse em desenvolver algo sobre a mobilidade urbana e as dificuldades dos deficientes visuais.”

Pela proposta do projeto, os passageiros cegos recebem do órgão público competente um aparelho transmissor e cadastram a linha desejada. Assim, no momento em que o veículo da linha escolhida se aproximar do ponto de ônibus, será emitido um sinal para o motorista, alertando que um deficiente visual deseja subir no próximo ponto. O condutor, então, acionará um alto-falante com o nome da linha para alertar o passageiro.

Segundo as estudantes, o dispositivo funcionará via GPS, com transmissão de informações em tempo real, como o nome da rua e o ponto de referência. Será necessário um suporte de uma segunda empresa especializada nesse serviço, para que tudo ocorra como o planejado.

Para aperfeiçoar a proposta, as alunas realizaram entrevistas no Lar das Moças Cegas, instituição frequentada pelo colega de turma. “A partir daí, chegamos ao consenso de que o deficiente visual luta pela sua independência, mas depende de outra pessoa para usar o transporte público, por não ter a informação exata sobre a sua localização”, afirma o docente.“O projeto destaca a importância da adoção de um sistema que auxilie esse público”, completa Alvarez.

A partir do TCC, a vereadora Audrey Kleys mobilizou-se para criar o Projeto de Lei (PL) 251/2019, que, atualmente, aguarda para entrar na pauta da Diretoria Legislativa para discussão no plenário da Câmara dos Vereadores de Santos.

O trabalho também ganhou destaque no XI Congresso Brasileiro de Iniciação Científica (Cobric), promovido pela Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Com informações do Governo do Estado de São Paulo