RJ: Motorista de ônibus morre de Covid-19 e leva dois dias para ser enterrado

RJ: Motorista de ônibus morre de Covid-19 e leva dois dias para ser enterrado

13 de maio de 2020 Off Por Redação Revista do Ônibus

SÃO GONÇALO – Mais uma família é atingida pela pandemia do novo coronavírus – Covid-19. Desta vez, o motorista de ônibus Thales Alves Salles, de 44 anos, foi mais uma vítima desta doença que parece não acabar. Não bastasse a negligência no atendimento médico na Unidades de Pronto Atendimento do bairro Nova Cidade, no município de São Gonçalo, a família deve que enfrentar a falta de lugar para enterrar o rodoviário.

Foto: Reprodução de TV

De acordo com familiares, o corpo de Thales só foi enterrado, dois dias após a sua morte. Com o sepultamento com a presença de apenas duas pessoas da família, de forma silenciosa e bastante rápida, o rodoviário acabou sendo enterrado com caixão fechado, como determina as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para mortos pelo novo coronavírus.

No último sábado (9), o motorista de ônibus que seguiu para a Unidade de Pronto Atendimento da Nova Cidade, em São Gonçalo, com sintomas da doença, acabou não sendo atendido de forma adequada e, ainda no sábado, foi à policlínica no Largo da Batalha, em Niterói.

Segundo Rachel, prima de Thales, a oxigenação dele já estava baixa e continuava a cair.

“[Ele] Chegou lá com a saturação de oxigênio a 83%. No domingo de manhã já tava 75%, e foi onde eu corri para o hospital pra poder buscar um laudo médico, porque eu fiquei sabendo que existia uma fila de espera e relação à transferência para um hospital que tivesse UTI”, explicou a prima.

A prima de Thales ainda conseguiu no domingo no plantão judiciário, uma decisão para que o rodoviário fosse transferido para uma unidade de terapia intensiva, porém, não de tempo, já que o motorista de ônibus, acabou morrendo no mesmo dia, no período da noite. Thales era diabético e também hipertenso.

“Infelizmente, não conseguimos a tempo a transferência. Ele veio a óbito na noite do domingo e a partir daí começou o meu segundo pesadelo”, desabafou a mulher.

Com problemas no ar condicionado, a policlínica informou a família que o corpo de Thales tinha sido embalado, porém, não poderia ficar na unidade, por não haver geladeira para armazenamento de corpos na unidade, e que a administração disse que a família teria que retirar o corpo do motorista de ônibus do local.

Não bastasse o atendimento demorado que acabou ocasionando a morte de Thales, a família enfrentaria mais uma batalha, de sepultar o corpo do jovem motorista de ônibus. A funerária contratada informou que só poderia retirar o corpo do local, se fosse encaminhado diretamente para algum cemitério, e como no município de São Gonçalo, todos os cemitérios encontram-se lotados, somente nesta terça-feira (12), ou seja, dois dias após a morte de Thales, sua prima localizou um parente que possui um jazigo no cemitério e com isso o enterro finalmente ocorreu.

“Esse parente nosso tem um jazigo, aqui no Cemitério São Miguel, e só assim eu consegui enterrar o meu primo hoje, dia 12 de maio, às 14 horas. Ou seja, estou desde domingo às onze e meia correndo atrás pra poder enterrar o meu primo. Domingo, dia 10 de maio, às onze e meia da noite, só consegui fazer o enterro dele agora, dia 12 de maio, às 14 horas”, desabafou a prima.

Thales era solteiro, sem filhos e morava com a mãe. Dona Zely, de 82 anos, não pôde ir ao enterro do filho porque está em casa, também com sintomas de Covid-19. A família vive a dor da perda e a preocupação.

A história do motorista de ônibus Thales Alves Salles foi mostrada no RJ2 da TV Globo.

Em nota, a Upa Nova Cidade informou que abrirá uma sindicância para verificar os atos dos profissionais que atenderam o rodoviário na unidade.

Já a Prefeitura de São Gonçalo, alegou em nota que os óbitos por Covid-19 estão sendo todos sepultados no mesmo dia da morte, no Cemitério Pacheco, conforme recomendação do Ministério da Saúde. O município informou que a administração funerária só foi procurada pela família nesta terça.

O nome da empresa de ônibus em que o rodoviário trabalhava não foi informado.

Com informações da Prefeitura de São Gonçalo e Tv Globo