Viação Itapemirim corre risco de falir, diz jornal ao mencionar prejuízos

Viação Itapemirim corre risco de falir, diz jornal ao mencionar prejuízos

21 de fevereiro de 2020 Off Por Redação Revista do Ônibus

SÃO PAULO – A Viação Itapemirim que segue no plano de recuperação judicial desde março de 2016, parece não estar tão bem como muitos imaginam. De acordo a publicação da Folha de São Paulo, desta sexta-feira (21), a empresa Administradora nomeada pela Justiça diz que a situação atual do grupo é grave.

O atual presidente da Itapemirim, Sidnei Piva de Jesus, foi um dos membros da comitiva que acompanhou o governador de São Paulo, João Doria – PSDB, ao Oriente Médio, na segunda semana de fevereiro, e se demostrou bastante otimista na busca por investimentos, segundo a publicação.

A missão empresarial aos Emirados Árabes Unidos, fechou negócio movimentando cerca de US$ 3,2 bilhões, equivalente a R$ 14 bilhões, para investimentos em empresas paulistas nos próximos 12 meses.

Dentre todos os empresário, Piva anunciou que pretende criar uma nova companhia aérea, e que teria um aporte de R$ 2 bilhões para tocar o novo negócio. Na época, o empresário, porém, não de detalhes concretos sobre os possíveis investidores que serão parceiros no novo negócio. O presidente da Itapemirim, chegou anunciar ainda que teria encomendadas 35 aeronaves da Bombardier com dois tipos de configuração: 15 com capacidade para cerca de 80 passageiros e o restante para cerca de 100, como informou a Folha de São Paulo.

Em meio a extrema confiança do empresário em poder um dia explorar a malha aérea, o ramo rodoviário, segue em situação delicada, como informou o relatório de uma administradora nomeada pela Justiça para acompanhar suas atividades, como informou o jornal.

Ainda segundo a publicação, a administradora ressalta no texto que, ao recorrer ao mecanismo da recuperação, o grupo — que inclui as viações Itapemirim e Caiçara “Kaissara” e outras cinco empresas — conseguiu a suspensão das ações de cobrança de suas dívidas, à época estimadas em cerca de R$ 300 milhões.

De acordo com o jornal, o déficit da empresa em 2018, foi de R$ 176 milhões. Já no período de 2019, a Viação Itapemirim teve prejuízo até novembro de R$ 117 milhões. A publicação ainda menciona uma dívida tributária de mais de R$ 2,2 bilhões, através de dados apontados pela administradora no relatório encaminhado à Justiça.

A Folha de São Paulo aponta ainda que a Viação Itapemirim chegou ter 1.700 ônibus, atuando em 22 Estados, mais que atualmente sua frota é de apenas 573 veículos, sendo que 303, estariam fora de serviço e operação.

Governo de Minas Gerais entra na Justiça contra a Itapemirim

De acordo com a reportagem do jornal, o governo de Minas Gerais, acusa a Viação Itapemirim de cobrar seus clientes o imposto do ICMS, que é embutido nos bilhetes de passagem, porém, não estaria repassando aos cofres públicos.

“A empresa usa o valor do imposto como capital de giro”, afirma o estado em petição apresentada ao juiz João de Oliveira Rodrigues Filho na qual pede que, por conta disso, a recuperação judicial seja transformada em falência. A Itapemirim ainda não apresentou sua defesa, nos autos.

A Viação Itapemirim informou que o grupo está em dia com o processo de recuperação judicial. Diz que imóveis foram leiloados para viabilizar o pagamento das dívidas trabalhistas, situação prevista para ocorrer em meados de maio.

Afirma ainda que a dívida tributária é bem menor do que a descrita pela administradora judicial. “Os valores são próximos a R$ 1 bilhão e estão sendo discutidos com os órgãos competentes nos estados”, diz. “A empresa também tem créditos de prejuízos fiscais, no mesmo patamar de valores, que serão utilizados para o pagamento.”

A Itapemirim diz estar “obtendo ótimos resultados com aumento significativo de vendas”. “O faturamento anual da Itapemirim está em R$ 400 milhões, e a dívida, em R$ 160 milhões.”

Com informações da Viação Itapemirim e Folha de São Paulo