RJ: “Caixinha da Fetranspor” pode atingir Tribunal de Justiça, aponta delação

RJ: “Caixinha da Fetranspor” pode atingir Tribunal de Justiça, aponta delação

31 de dezembro de 2019 Off Por Redação Revista do Ônibus

RIO – Ao ano de 2020 será de muito trabalho para a equipe que segue na Operação Lava Jato e suas vertentes no Rio de Janeiro. O acordo firmado em fevereiro de delação premiada, de Lélis Teixeira, ex-presidente de Federação de Empresas de Ônibus do Rio de Janeiro – FETRANSPOR, com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, segue atingindo todas as esferas do poder fluminense.

O ex-presidente da Fetranspor, cita Executivos, Legislativos e Tribunais de Contas estaduais e municipais, além do Judiciário e do Ministério Público fluminenses. Além de parlamentares da Assembléia Legislativa, há temor de apreensões em diversos municípios. Alguns empresários de ônibus do Rio e da Baixada Fluminense, seguem temerosos com a situação, já que a lista de empresas de ônibus foi divulgada pelo Ministério Público Federal do Rio, como podemos ver mais abaixo.

De acordo com o Jornal Folha de São Paulo, Lélis Teixeira, detalhou informações importantes em sua delação. De acordo com a publicação, Teixeira disse que as informações que recebeu sobre o pagamento de propinas para autoridades estaduais ao longo de anos, descrevendo os beneficiários da “caixinha da Fetranspor”, como ficou conhecido o caixa dois das empresas de ônibus para pagar propina ou verba eleitoral ilegal a agentes públicos, chama atenção.

Por outro lado, Álvaro Novis, antigo operador financeiro da Fetranspor, já havia dado uma dimensão da “caixinha” em 2017, ao fechar delação premiada. Seus depoimentos deram origem à Operação Ponto Final, que teve como alvos os maiores empresários do setor no Rio de Janeiro. Ele era o responsável por receber o dinheiro vivo que vinha das roletas de ônibus de todo o estado e distribuí-lo sob ordens dos empresários. A estimativa é que R$ 500 milhões tenham sido repassados entre 2010 e 2016.

O Estado do Rio de Janeiro, já conta com a três ex-governadores, seis conselheiros do Tribunal de Contas e dez deputados estaduais presos, com a delação de Lélis Teixeira. Ao que tudo indica, a Operação Lava Jato, terá novos capítulos em 2020, podendo chegar em outras instituições, como o Tribunal de Justiça, já que em sua delação, Teixeira apontou que agentes públicos receberam propina, mesmo afirmando não ter atuado diretamente na maioria desses pagamentos.

Operação Lava Jato divulga lista de empresa de ônibus ligadas a FETRASPOR no esquema de corrupção no Rio de Janeiro

A denúncia do Ministério Público Federal divulgada nesta segunda-feira (23/12), que remete um perito judicial e vários empresários de ônibus do Rio de Janeiro, da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana no esquema de corrupção, mostra a lista de empresas de ônibus, que segundo o órgão, receberam propinas durante alguns anos, do esquema de fraudes da Fetranspor, ligando inclusive o ex-governador Sérgio Cabral.

Foto: Reprodução – Ministério Público Federal

De acordo com o MPF/RJ, É certo que a arrecadação dos recursos para alimentar a conta “F/SABI”, administrada pelos colaboradores ÁLVARO NOVIS e EDIMAR DANTAS e utilizada para custear o pagamento de vantagens indevidas a funcionários públicos, contava com a atuação coordenada de JOSÉ CARLOS LAVOURAS, JACOB BARATA FILHO, MARCELO TRAÇA, LÉLIS TEIXEIRA e JOÃO AUGUSTO MONTEIRO, cabendo ao primeiro, como Presidente do Conselho de Administração da FETRANSPOR, articular os recolhimentos das “contribuições” junto às empresas de ônibus participantes da “caixinha da propina” e repassar as ordens de distribuição de valores ao operador ÁLVARO NOVIS.

Foto: Reprodução – Ministério Público Federal

Além dos montantes recolhidos nas empresas de ônibus, parte dos valores que os empresários mantinham em contas paralelas com os colaboradores também foi utilizada para alimentar o caixa da propina da FETRANSPOR na conta F/SABI. Assim, somados os valores recolhidos em empresas relacionadas acima, vinculadas aos denunciados, bem como os recursos mantidos em suas contas particulares, chega-se à seguinte estimativa de valores: Denunciados / Colaboradores.

Valores para o caixa da propina

Foto: Reprodução – Ministério Público Federal