Chile: Voos e ônibus para o Brasil estão suspenso deste sexta-feira

Chile: Voos e ônibus para o Brasil estão suspenso deste sexta-feira

20 de outubro de 2019 Off Por revistadoonibus

SANTIAGO – Desde a última sexta-feira (18), onde se iniciou uma onda de protesto em Santiago e demais cidades do Chile, por conta do anúncio no aumento na tarifa do metrô. Desde então, sair do Chile com destino a Argentina ou até mesmo ao Brasil, vem se tornando tarefa difícil.

A onda de protesto foi tão intensa em Santiago e outras cidades, como já informamos aqui, que o governo teve que decretar estado de emergência para contar a rebelião dos populares. Em Santiago e Região Metropolitana, houve toque de recolher.

O Terminal Central de Santiago, onde embarcam e desembarcam passageiros do Brasil e Argentina por exemplo, está sem operar linhas. O aeroporto de Santiago segue sem voos regulares.

Na noite deste sábado (19), manifestantes atacaram vidraças de prédios, destruíram semáforos, queimaram ônibus e invadiram e incendiaram um supermercado. Três pessoas morreram nesse incêndio.

Os manifestantes também atacaram ônibus e estações do metrô. De acordo com o governo, 78 estações foram atingidas e algumas ficaram completamente destruídas.

O prejuízo ao metrô de Santiago supera 300 milhões de dólares e algumas estações e linhas demorarão meses para voltar a funcionar, afirmou o presidente da companhia estatal, Louis de Grange. Eixo do transporte público da capital chilena, com quase três milhões de passageiros por dia, o metrô sofreu uma “destruição brutal”, afirmou declarou Grange.

Aos gritos de “basta de abusos” e com o lema que dominou as redes sociais “ChileAcordou”, o país enfrenta críticas a um modelo econômico em que o acesso à saúde e à educação é praticamente privado, com elevada desigualdade social, valores de pensões reduzidos e alta do preço dos serviços básicos.

A manifestação não tem um líder definido nem uma lista precisa de demandas. Até o momento aparece como uma crítica generalizada a um sistema econômico neoliberal que, por trás do êxito aparente dos índices macroeconômicos, esconde um profundo descontentamento social.

As autoridades informaram que 716 pessoas foram detidas nos protestos, os mais violentos desde o retorno da democracia após o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). – Cidade paralisada e desolada -Os supermercados e shoppings anunciaram que permaneceriam fechados neste domingo, para evitar saques.

Foto: Divulgação

O metrô está paralisado e quase não circulam ônibus pela cidade. Os táxis e os carros que são chamados por aplicativos para celulares – com tarifas muito acima do normal – eram praticamente a única forma de deslocamento na cidade de sete milhões de habitantes, que passou por dois dias de violência extrema.

No porto de Valparaíso, os bombeiros lutavam contra as chamas do incêndio que destruiu por completo um supermercado da cidade. “Estamos vivendo elevadíssimos níveis de delinquência e saques”, afirmou Alberto Espina, ministro da Defesa.

O presidente Sebastián Piñera – que suspendeu no sábado o aumento das passagens do metrô – se reunirá com os ministros neste domingo para abordar a situação. Protestos de tal magnitude eram inimagináveis há poucos dias, quando o próprio presidente afirmou que Chile era um “oásis” de tranquilidade na região.

A Câmara dos Deputados também convocou uma sessão especial para domingo. Universidades e escolas suspenderam as aulas na segunda-feira, mas os estudantes convocaram um novo dia de protestos.

Acredita-se que nesta segunda-feira (21), o transporte seja retomado com mais segurança.

Com informações da Globo News, AFP e CNN