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Chile vive domingo paralisado após protestos

SANTIAGO – O domingo voltou ser palco de destruição no Centro de Santiago. O cenário de quem está na capital chilena é sem dúvidas de destruição total: Lojas saqueadas, ônibus queimados e semáforos no chão, além de milhares de destroços, após os protestos que se iniciaram na sexta-feira (18), após o anúncio do aumento na tarifa do metrô.

Além de Santiago, as cidades de Valparaíso e Concepción, também sofreram com os protestos, mesmo com o anúncio do toque de recolher ter sido decretado. Mesmo com a mobilização de quase 10 mil militares nas ruas, os distúrbios seguiram durante a madrugada nas cidades.

De acordo com a imprensa chilena, duas pessoas acabaram morrendo em um grande incêndio, após o saque de um supermercado da rede Líder, um dos diversos alvos de ataque dos manifestantes nas últimas horas.

Foto: Divulgação

Ônibus também foram incendiados

Os manifestantes também atacaram ônibus e estações do metrô. De acordo com o governo, 78 estações foram atingidas e algumas ficaram completamente destruídas.

O prejuízo ao metrô de Santiago supera 300 milhões de dólares e algumas estações e linhas demorarão meses para voltar a funcionar, afirmou o presidente da companhia estatal, Louis de Grange. Eixo do transporte público da capital chilena, com quase três milhões de passageiros por dia, o metrô sofreu uma “destruição brutal”, afirmou declarou Grange.

Aos gritos de “basta de abusos” e com o lema que dominou as redes sociais “ChileAcordou”, o país enfrenta críticas a um modelo econômico em que o acesso à saúde e à educação é praticamente privado, com elevada desigualdade social, valores de pensões reduzidos e alta do preço dos serviços básicos.

A manifestação não tem um líder definido nem uma lista precisa de demandas. Até o momento aparece como uma crítica generalizada a um sistema econômico neoliberal que, por trás do êxito aparente dos índices macroeconômicos, esconde um profundo descontentamento social.

As autoridades informaram que 716 pessoas foram detidas nos protestos, os mais violentos desde o retorno da democracia após o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). – Cidade paralisada e desolada -Os supermercados e shoppings anunciaram que permaneceriam fechados neste domingo, para evitar saques.

O metrô está paralisado e quase não circulam ônibus pela cidade. Os táxis e os carros que são chamados por aplicativos para celulares – com tarifas muito acima do normal – eram praticamente a única forma de deslocamento na cidade de sete milhões de habitantes, que passou por dois dias de violência extrema.

No porto de Valparaíso, os bombeiros lutavam contra as chamas do incêndio que destruiu por completo um supermercado da cidade. “Estamos vivendo elevadíssimos níveis de delinquência e saques”, afirmou Alberto Espina, ministro da Defesa.

O presidente Sebastián Piñera – que suspendeu no sábado o aumento das passagens do metrô – se reunirá com os ministros neste domingo para abordar a situação. Protestos de tal magnitude eram inimagináveis há poucos dias, quando o próprio presidente afirmou que Chile era um “oásis” de tranquilidade na região.

A Câmara dos Deputados também convocou uma sessão especial para domingo. Universidades e escolas suspenderam as aulas na segunda-feira, mas os estudantes convocaram um novo dia de protestos.

Com informações da Globo News, AFP e CNN