Uber Bus chega ao Brasil com serviço de ônibus por aplicativo para até 20 passageiros

Uber Bus chega ao Brasil com serviço de ônibus por aplicativo para até 20 passageiros

31 de agosto de 2019 Off Por Redação Revista do Ônibus

SÃO PAULO – O Uber está lançando um serviço de ônibus pela primeira vez. Ele se chama Uber Bus e oferece viagens para 15 a 20 pessoas em um micro-ônibus no Egito. O passageiro insere sua origem e destino, e o aplicativo encontra outros usuários viajando na mesma direção para levá-los também. É uma versão expandida do Uber Juntos, que vem irritando as empresas de transporte público no Brasil.

O Uber Bus funciona assim: o passageiro solicita uma viagem usando o aplicativo padrão do Uber. O serviço encontra outros usuários indo na mesma direção para compartilhar a corrida, levando-os ao destino com menos paradas. É semelhante ao Uber Juntos (antes Pool) que foi lançado recentemente no Brasil.

O passageiro escaneia um QR code com o celular para informar ao aplicativo que entrou no veículo, e pode pagar com dinheiro. O preço não é fixo como em um ônibus tradicional, mas “é acessível o suficiente para o uso diário”, diz a empresa.

O CEO Dara Khosrowshahi afirma em comunicado que o Uber Bus “melhorará o transporte a preços acessíveis para milhões de egípcios usando a tecnologia do Uber para aprimorar o popular sistema de micro-ônibus”.

Uber atua em ônibus para depender menos de carros

Eoin O’Mahony, executivo do Uber, escreve no LinkedIn que ônibus informais são um dos transportes mais populares nos países em desenvolvimento. “Estima-se que 700 milhões de viagens por semana aconteçam nessas redes de ônibus informais, o que é 10 vezes maior do que o número global viagens semanais no Uber”, ele explica. Por isso, o Uber Bus “tem o potencial de abrir um novo negócio global” de US$ 100 bilhões para a empresa.

O Uber quer depender menos de carros. A empresa adquiriu a startup Jump, que trabalha com compartilhamento de bicicletas, e vai lançar o serviço em São Paulo em 2019. Ela oferece aluguel de patinetes elétricos nos EUA. E, agora, ela está começando a operar micro-ônibus.

No Brasil, o Uber teria alguma dificuldade em oferecer um serviço de ônibus. Afinal, as empresas de transporte público já acusam o Uber Juntos de realizar “transporte ilegal de passageiros”, e querem bani-lo em várias cidades por “concorrência desleal”.

Projeto Piloto semelhante já funciona em Goiania

Embora lembre aplicativos como Uber e 99, o pedido foi feito para um serviço de uma empresa de ônibus. Chamado CityBus 2.0, ele iniciou testes em Goiânia em fevereiro e realiza atualmente mais de mil viagens por dia, segundo seus criadores. O período de avaliação foi encerrado em julho, e o projeto passou a integrar a oferta de transporte municipal. 

Foto: Divulgação

O CityBus é a primeira iniciativa de transporte público sob demanda a superar a etapa experimental no Brasil. O Uber oferece viagens compartilhadas há alguns anos, mas em carros para até quatro passageiros. 

Há iniciativas similares sendo avaliadas no exterior. No Egito, foi lançado o UberBus em dezembro, que opera com vans. Em Londres, o app Citymapper fez experimentos com o modelo durante dois anos, mas desistiu da ideia em junho. 

De volta ao teste em Goiânia, a van, modelo Sprinter, chegou. A porta se abre de forma automática. Dentro, estava vazia. Entrei e sentei em um dos 14 bancos disponíveis, todos pretos e estofados. Em média, uma em cada quatro viagens levam apenas um passageiro. 

Há plugues USB e tomadas, para carregar celulares e notebooks. Um ar condicionado potente refresca a manhã quente em Goiânia. A motorista, Débora Corrêa, 27, dirige seguindo as instruções de um tablet, que informou a ela os nomes e destinos dos usuários. Os motoristas são contratados da HP Transportes Coletivos, viação que criou o serviço.  

Como as cores do veículo são as mesmas dos ônibus municipais, algumas pessoas se confundem. “Muitos pedem pra gente parar. A gente encosta rapidinho e explica que para usar tem que baixar o aplicativo”, diz a condutora. 

O serviço exige o uso do app, mas aceita dinheiro. “Em oito horas de trabalho por dia, faço em média 30 corridas, e umas oito delas são pagas em dinheiro”, conta Débora. O pagamento também pode ser feito via cartão de crédito ou débito cadastrado no aplicativo. 

A viagem foi rápida. Cerca de 3 km, que custaram R$ 5,70. O preço, como outros fatores, segue a regra do meio-termo: é maior do que a tarifa de ônibus (embora parta de R$ 2,50 por viagem de 1 km), mas menor do que a de uma viagem de Uber. 

“Acompanhamos o preço cobrado pela concorrência e buscamos deixamos o nosso valor um pouco mais baixo”, diz Thiago Araújo, gestor de inteligência de mercado da HP Transportes. A tarifa não sobe em caso de alta demanda.

As vans não atendem aos pontos regulares nem seguem linhas fixas. Os locais de parada e as rotas são definidos por um sistema, conforme surgem os pedidos. A tecnologia para isso foi fornecida por uma empresa estrangeira.

O programa começou em fevereiro, em fase de testes, com 14 vans. Atualmente, são 25 e o plano é chegar a 40 até outubro. O serviço soma 50 mil pessoas cadastradas e opera de segunda a sábado, das 6h às 23h.

O modelo do CityBus é visto pelas empresas de transporte como uma saída para trazer de volta os passageiros que trocaram os ônibus por viagens por aplicativo.

A perda dessas viagens foi especialmente dolorosa porque os clientes de apps de carros costumam percorrer distâncias curtas. Nos sistemas em que todos pagam a mesma tarifa, os trajetos menores subsidiam indiretamente as viagens longas. Quem pega um ônibus por dez minutos ajuda a pagar o deslocamento de outra pessoa que fica uma hora a bordo.

A receita gerada pelo CityBus ainda não cobre o custo de operação. “É um investimento dos donos da empresa. Estamos testando um conceito. À medida que tivermos mais aplicações [deste modelo], chegaremos ao equilíbrio”, diz Indiara Ferreira, diretora executiva da HP. “O serviço pode ser estendido para ônibus grandes, por exemplo, mas tudo está em estudo”. 

Com informações do Tecnoblog, Folha, CityBus e Uber