Obra da PRF de Rondônia é Alvo de investigação por superfaturamento

Obra da PRF de Rondônia é Alvo de investigação por superfaturamento

9 de agosto de 2019 Off Por revistadoonibus

PORTO VELHO – Uma ação de investigação da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e da Controladoria Geral da União (CGU), realizaram na manhã desta quinta-feira (8), mandados de busca e apreensão na sede da Polícia Rodoviária Federal em Porto Velho, assim como nas residências de nove pessoas investigadas por supostas irregularidades ocorridas na obra de construção da nova sede da PRF, na BR-364, sentido Acre.

Os investigados são suspeitos de terem praticado peculato (crime praticado por funcionário público contra a própria administração pública), associação criminosa e dispensa irregular de licitação.

As buscas incluem objetos, computadores, equipamentos eletrônicos e celulares que forem encontrados na posse dos investigados ou no local de cumprimento da medida.

Foto: Divugação

A investigação iniciou após denúncia feita por uma pessoa da empresa Qualitá Projetos e Consultoria Ltda, responsável por fiscalizar a obra que estava sendo executada pela empresa Concreta Engenharia e Construções Ltda. O denunciante relatou que sofreu pressão de servidores da Comissão de Gestão do Contrato, Fiscalização e Medição da PRF para assinar medições irregulares da construção. As pressões seriam, supostamente, a mando do superintendente da PRF na época (até 2014).

Segundo as investigações, já na primeira medição da obra a Qualitá verificou que os serviços executados correspondiam a 70 mil reais, mas o valor aprovado pela Comissão da PFR foi de 263 mil reais, ou seja, 300% superior. Em março de 2014, após não atender ao pedido do então superintendente para trocar o profissional que estaria “dificultando” a aprovação das medições, a empresa Qualitá teve seu contrato de fiscalização rescindido unilateralmente. Depois disto, nenhuma outra empresa foi contratada para fazer a fiscalização da obra.

Foto: Reprodução de Internet

Como consequência da condução irregular no curso da construção houve a interrupção da obra com graves prejuízos ao erário. Ao todo, foi pago o valor de R$ 21.450.787,99 (vinte e um milhão, quatrocentos e cinquenta mil setecentos e oitenta e sete reais e noventa e nove centavos), quantia muito próxima àquela orçada no procedimento licitatório para conclusão da obra, porém foram executados aproximadamente apenas 75% dos serviços.

Vale ressaltar que, conforme medição realizada por peritos da Polícia Federal, foi detectado superfaturamento na obra, com prejuízo projetado em R$ 1.149.995,52 (um milhão, cento e quarenta e nove mil novecentos e cinco reais e cinquenta centavos). As irregularidades reveladas foram em itens como aparelhos de ar-condicionado pagos e não entregues; pagamento de 40% do valor de elevador de passageiros sem entrega do bem; aplicação de manta asfáltica em quantidade 20 vezes inferior ao serviço contratado, que se deteriorou sem que qualquer veículo transitasse no local, apenas com a intempérie da chuva; não aplicação de grama esmeralda, entre outras irregularidades.

Os levantamentos realizados até agora são apenas numa amostra de itens, o que demanda à CGU uma fiscalização em todas as etapas da obra, visando apontar o total do prejuízo causado aos cofres públicos.

Também há suspeitas de irregularidades na retomada da obra e contratação da empresa 3R Construções Eireli-ME para realizar o levantamento do remanescente da obra, ou seja, o que falta ser executado, o qual ficou em R$ 15.170.115,51 (quinze milhões cento e setenta mil cento e quinze reais e cinquenta e um centavos). Assim, levando em consideração o que foi pago (R$ 21.450.787,99) com o que falta executar (R$ 15.170.115,51), o custo da obra passaria de R$ 22 milhões para 36,5 milhões, uma diferença de 14,5 milhões acima do valor inicialmente orçado.

Afastamento do superintendente

Por conta das irregularidades já detectadas, a Justiça Federal determinou a suspensão da função pública do atual superintendente Bruno Ferreira Malheiros, por 30 dias. Neste período, ele pode desempenhar apenas atividades típicas ao cargo de policial rodoviário federal. Na decisão, a Justiça também proibiu que Bruno Malheiros mantenha contato com os membros da comissão envolvida no processo de dispensa de licitação para a contratação da 3R Representações Eireli-ME e os representantes da empresa, por 30 dias.

Com informações do Tudo Rondônia, Ministério Público Federal e Polícia Federal


Polícia Rodoviária Federal emite nota sobre operação em Rondônia

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Adriano Furtado, divulgou nesta quinta-feira (8) uma nota à imprensa com explicações.

Veja a íntegra da nota:

“Referente à operação realizada na data de hoje pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, a Polícia Rodoviária Federal informa que os fatos investigados na operação supracitada também são objetos de processos em andamento na Corregedoria Geral da PRF, iniciados em março de 2019.

Informamos também que os servidores citados na operação foram afastados de suas funções e que a Polícia Rodoviária Federal colaborou, a todo momento, com o cumprimento das decisões judiciais.

O Corregedor-Geral da PRF, Célio Constantino, foi designado para acompanhar os desdobramentos da ação em Porto Velho e supervisionar a continuidade da gestão da Superintendência em Rondônia.

Por fim, reafirmamos nosso compromisso com a integridade, a transparência e o profissionalismo, atuando em colaboração com os demais órgãos na busca da verdade e da justiça”.