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Relatório final sobre a intervenção do BRT Rio aponta problemas e possíveis soluções

RIO – Após meses em intervenção, o sistema de transporte expresso do Rio de Janeiro, o BRT, traz problemas e possíveis soluções de curto, médio e longo prazo para melhoria do transporte de massa na Cidade Maravilhosa.

Um relatório final recém elaborado pelo interventor do BRT no Rio, Luiz Alfredo Salomão, mostra que 13 estações do sistema, jamais deveria ter sido construídas. O documento ainda mostra que o Terminal Santa Cruz, localizado na Zona Oeste da cidade, teria que ser três vezes maior que o atual.

A produção do relatório foi determinada via decreto pelo prefeito Marcelo Crivella no mês passado. Já a intervenção no sistema de transportes foi anunciada em janeiro, e duraria seis meses.

Além de apontar quais estações não deveriam ter saído do papel (veja a lista abaixo), as conclusões no relatório também revelam que os coletivos do BRT circulam em “pavimentos inadequados e mal executados”, que há “degradação da infraestrutura e redução da frota em operação”.

Sobre o Terminal Santa Cruz, o documento cita que “embora pareça uma estação convencional”, na verdade “o espaço é mais estreito e com quantidade insuficiente de parada de veículos”.

O Corredor Transoestes, segundo o interventor, tem problemas graves de deterioração do asfalto. A análise revelou que “as estações não suportam o peso dos ônibus articulados”, principalmente nas áreas onde os coletivos são obrigados a frear.

O documento aponta, também, que o corredor foi “construído num terreno de argila mole, sem estaquemento, substituição de solo ou compactação adequada”.

Estações que não deveriam ter sido construídas.

  • Ibiapina;
  • Catedral do Recreio;
  • Parque da Esperança;
  • Cândido Magalhães;
  • Dom Bosco;
  • Júlia Miguel;
  • Gramado;
  • Recanto das Garças;
  • Tapebuias;
  • Golfe Olímpico;
  • Ilha Pura;
  • Ctex;
  • Embrapa.

O levantamento indica que nessas 13 estações passam menos de 500 passageiros por dia, e ainda há outras 10 estações com volume diário entre 500 e 1 mil passageiros.

“Trata-se de um desperdício absurdo de recursos: faltam estações adequadas nas proximidades de Santa Cruz e sobram estações que não deveriam ter sido construídas”, aponta o documento.

Menos 33% ônibus circulando em 2 anos

Entre março de 2017 e o mesmo mês deste ano, os auditores identificaram que o BRT perdeu 33% da frota operante.

No levantamento inicial da intervenção, foram identificados 40 veículos com perda total e 89 fora de operação que dependiam de manutenção.

Além disso, fiscais da Secretaria Municipal de Transportes detectaram durante o período que havia 73 veículos precisando apenas repor peças para voltarem a circular.

Constatações

No relatório são apresentadas, ainda, algumas questões consideradas centrais sobre o BRT.

O primeiro destaque classifica como “precário e superficial” o conhecimento de órgãos ténicos do poder concedenete – ou seja, a prefeitura – sobre funcionamento (econômico-financeiro, comercial, técnico-operacional e outros).

Num segundo ponto, é ressaltado que não existe um contrato de concessão específico para o BRT, na opinião do interventor.

Com informações da Prefeitura do Rio e TV Globo