Rodoviários da Saritur realizam paralisação em Vespasiano na Região Metropolitana de BH

Rodoviários da Saritur realizam paralisação em Vespasiano na Região Metropolitana de BH

8 de julho de 2019 Off Por Redação Revista do Ônibus

BELO HORIZONTE – Rodoviários da empresa Saritur que atendem as linhas com ônibus urbanos na região de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, resolveram iniciar uma paralisação nesta segunda-feira (8), deixando muita gente sem transporte na região de Vespasiano, Santa Luzia e da região de Venda Nova.

Apenas alguns veículos saem para rodar. O movimento afeta, inclusive, o sistema Move.

De acordo com a Band News FM, ao menos 100 funcionários da Saritur cruzaram os braços em frente a sede da empresa. Os rodoviários afirmaram que só retornarão ao trabalho nesta terça-feira (9). A categoria informou que a paralisação ocorreu devido ao corte no benefício do tíquete-alimentação exclusivamente no período de férias, medida anunciada pelas empresas do sistema metropolitano de transporte em junho.

Os trabalhadores deram prazo de uma semana para a empresa se posicionar. Se isso não ocorrer, eles podem voltar a parar na próxima segunda-feira (15).

Nota do Sintram

Mais cedo, a Saritur informou apenas que o posicionamento seria dado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram), uma vez que outras empresas também estão envolvidas no corte de benefício. Por meio de uma nota, a entidade que representa as empresas de transporte atacou a manifestação, afirmando que trata-se de uma paralisação ilegal, uma vez que a empresa não foi informada com antecedência e também por não haver cumprimento de escala mínima. 

Além disso, o sindicato afirmou que o protesto é baseado em informações inverídicas divulgadas via WhatsApp e que já foram desmentidas pelo Sintram. “Essa paralisação ilegal não foi orquestrada pelo sindicato representante da categoria, mas sim por iniciativa de opositores e, por isso, o Sintram e as empresas operadoras dos serviços não se envolverão em disputas de poder de lideranças sindicais e não negociarão com grupos sem representatividade legal”, argumenta, finalizando com a afirmação de que o movimento é uma “tentativa de um grupo de assumir o poder dentro do sindicato”

Categoria responde nota

Questionado sobre as acusações feitas na nota divulgada pelo Sintram, o advogado Rômulo Paturnia, representante dos motoristas, reafirmou que o movimento é espontâneo dos trabalhadores, não tendo qualquer relação com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de BH e Região Metropolitana (STTRBH). “A gente não reconhece o atual sindicato como representante da categoria”, reclama. 

Ele questionou ainda a afirmação dada pelas empresas de que o ato seria motivado por notícias falsas. “Eles tentam desesperadamente justificar os erros com a desculpa de fake news. Mas os trabalhadores já estão sentindo no bolso o corte do tíquete-refeição.”, aponta o advogado. 

Ainda segundo ele, a manifestação é popular e legal. “Inclusive a gente não impediu ninguém que quis trabalhar e a Polícia Militar (PM) esteve presente. Não houve confrontos e, mesmo assim, ainda conseguimos atingir a totalidade dos motoristas. Isso ocorreu por conta da insatisfaçao da categoria”, finalizou. 

Procurado, o assessor do STTR-BH, Luciano Gonçalves, explicou que o movimento não teve participação da entidade. “A gente não tinha instrumentos legais para fazer uma greve responsável e garantir a segurança dos trabalhadores. Eles fizeram a greve por conta própria, sem se resguardar”, disse. 

Entretanto, ele questionou a afirmação do Sintram de que o movimento foi baseado em fakenews. “A revolta maior é pela decisão das empresas de cortar o tíquete-alimentação nas férias, que não era um benefício convencionado e foi realmente retirado. Mas, como nós não estamos na época da database, que é em outubro, não havia dispositivo legal para deflagrar uma greve. Realmente tivemos fake news que contribuíram para essa revolta, mas falando que a categoria perderia o plano de saúde dos dependentes”, pontuou Gonçalves. 

Com informações do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) e Hoje em Dia