Rio: Intervenção do BRT diz que 33% da frota está parada devido falta de manutenção

Rio: Intervenção do BRT diz que 33% da frota está parada devido falta de manutenção

17 de maio de 2019 Off Por Redação Revista do Ônibus

RIO – Enquanto as pessoas se aglomeram nas estações e precisam disputar espaço para embarcar nos ônibus do corredor BRT, mais de 100 veículos estão parados nas garagens por causa de falta de manutenção e pistas ruins.

Segundo os números da intervenção no BRT, o sistema tem 357 veículos, mas só 238 estão em circulação. Os outros 119 estão parados por falta de manutenção. A prefeitura diz que multou o BRT mais de 1.700 vezes, só no ano passado, por operar com frota reduzida. O Ministério Público diz que ajuizou 98 ações civis públicas contra o BRT.

Segundo o engenheiro de transportes da Coppe/UFRJ Paulo Cézar Martins Ribeiro esses 119 ônibus parados representam o desatendimento de mais de 60 mil pessoas, já que são quase 140 mil viagens ida e volta que não são realizadas.

“A solução é botar de volta esses veículos para operar, atendendo os passageiros e diminuindo a falta de capacidade que o sistema tem. Tem que ter a oferta, que é número de ônibus, e a demanda o número de passageiros que quer viajar. Se começa a diminuir os ônibus, a demanda não vai ser atendida e acontece a superlotação”, explicou o engenheiro de transportes.

Um funcionário que trabalha numa das empresas de ônibus ressalta que a falta de manutenção dos ônibus é um problema grave.

“A situação aqui na empresa está horrível. O BRT tinha uns 62 carros, na escala, hoje em dia só tem cinco. Tem mais de 300 ônibus parados, e cada dia enguiça mais. Um ônibus ontem dormiu na rua, porque o reboque estava enguiçado. E a situação só vai piorando. Os carros estão na rua, enguiçam, aí vai para a oficina e fica na mão de um mecânico apenas. A gente tem que parar na borracharia, na rua, pagar do próprio bolso para consertar, para poder trabalhar, ganhar o dia”, contou o funcionário, que não se identificou.

O Procon fez uma fiscalização na segunda-feira (13), segundo a gerente de fiscalização Elisa Freitas, e visitou cinco estações do BRT.

“Encontramos veículos lotados, veículos saindo com portas abertas, veículos sem ar-condicionado, problemas de acessibilidade, falta de funcionários para ajudar na organização e orientar os consumidores. Fizemos um auto de constatação e o presidente instaurou um ato de investigação preliminar. O consórcio vai ser notificado e tem prazo de dez dias para responder. Após o prazo, o jurídico vai analisar a resposta, dar um parecer, enviar ao presidente que vai tomar as providências cabíveis”, disse a gerente do Procon.

Nesta segunda-feira (13), em entrevista ao Bom Dia Rio, o interventor do sistema BRT, Luiz Alfredo Salomão, acusou as empresas de ônibus do Rio de formarem um cartel.

A Rioônibus – sindicato municipal das empresas de ônibus – condenou as declarações do interventor. O sindicato lembrou que as empresas venceram uma licitação da prefeitura em 2010. E afirmou que, sem o apoio do poder público, o transporte de ônibus na cidade pode entrar em colapso ainda esse ano.

A Fetranspor também repudiou as declarações do interventor e disse que todas as empresas de ônibus que operam na cidade têm contrato assinado com a Prefeitura do Rio.

Com informações da TV Globo