Interventor do BRT Rio diz que não  irá conseguir cumprir prazo

Interventor do BRT Rio diz que não irá conseguir cumprir prazo

13 de Maio de 2019 Off Por revistadoonibus

RIO – O interventor do BRT, Luiz Alfredo Salomão, disse, em entrevista para o Bom Dia Rio nesta segunda-feira (13), que os problemas no transporte não serão resolvidos no prazo determinado para a intervenção.

“Eu não vou resolver isso em seis meses, como é o prazo previsto. A nossa missão é encaminhar soluções para isso. A primeira é a pista da Transoeste”, disse o interventor.

Segundo Salomão, a situação das pistas deterioradas atrapalha o interesse de empresários investirem em novos ônibus para aumentar a frota. Uma opção dada por ele é, em vez de colocar mais carros articulados – que são mais caros por serem encomendados -, tentar trazer ônibus convencionais para suprir os trajetos do BRT.

“Estamos tentando trazer ônibus convencionais porque a Prefeitura não tem recurso para investir numa nova pista e os empresários não querem botar novos ônibus. No curto prazo, estamos querendo trazer ônibus convencionais pra trafegar na pista, só que as empresas do Rio estão fazendo ‘corpo mole’. Estou disposto a trazer empresas de fora da cidade”, afirmou.

Empresários de fora do RJ temem ‘cartel’

O interventor explicou ainda que fez a proposta de investir em ônibus convencionais para as empresas do estado, mas, segundo ele, não houve interesse imediato. A ideia, então, foi convidar empresários de fora do Rio de Janeiro para trazer novos ônibus, entretanto, eles ‘temem entrar em um território controlado’.

“As [empresas] de fora temem em entrar no Rio porque é um território, entre aspas, ‘controlado por um grupo de empresas do Rio’. Existe um cartel. Em cada estado tem um cartel de empresas de ônibus. Eles relutam. Eles têm temor. Todo mundo sabe disso. É um cartel, é uma organização de empresas que não estimula que outras venho a concorrer”, declarou o interventor.

Luiz Salomão disse ainda que já esteve no Ministério Público para negociar soluções para a crise no transporte do BRT.

“O MP sabe, já estive com eles e eles imaginam que a solução para isso é colocar a Prefeitura para operar, só que a prefeitura não tem condições não tem gente pra isso”, disse.

‘Maquiagem’ no asfalto

A responsabilidade de melhorar as condições do asfalto da pista, de acordo com Salomão, é da Prefeitura, que alega não ter recursos para isso. A alternativa, para ele, seria fazer uma ‘maquiagem’ no asfalto.

“O problema é que não há recursos para fazer a frisagem e o recapeamento, mas isso também será uma maquiagem. Aquela estrada só será operacionalmente boa quando ela for substituída por outra ou quando se reconstruir aquela. Para isso, estou desde março tentando montar uma licitação para o projeto executivo, porque aquilo foi construído sem projeto”, acrescentou.

“Se o solo fosse bom, não precisaria, mas o solo lá é uma argila mole e aquilo fica deformado. Toda vez que passa, ainda mais ônibus pesado como o do BRT, ele vai recalcando vai se tornando uma pista intransitável. É muito ruim. Nunca escondi isso”, declarou Salomão.

Com informações da TV Globo